Então eu sou tia. Ontem lá estava eu, com a cabeça colada ao vidro, tentando registrar o melhor ângulo, os primeiros momentos, as primeiras 2 horas.
Ao redor, as pessoas choravam e tentavam identificar se o nariz era igual ao da mãe, do pai ou da tia. Mas as minhas referências eram outras, como por exemplo, a me questionar sobre quem esteve lá, com o nariz no vidro, feliz porque a 28 anos atrás, eu chegava? Será que alguém chegou a ficar feliz porque eu tenho o nariz da mãe ou os olhos do pai? Será que a progenitora sabia, que naquele exato momento, a 28 anos atrás, alguém poderia estar chorando, por tentar adaptarse aquele novo mundo de luzes e sons que se apresentava? Quem me segurou no colo pela primeira vez? Eu mamei? Quem cuidou do meu umbigo após a queda do cordão umbilical?
Não tenho respostas a perguntas como estas. Mas 28 anos, eu estou aqui. Tendo recebido o mesmo carinho ou não.